Outro dia ouvi uma conversa interessante.
Um empresário dizia que estava difícil encontrar bons empregados.
Do outro lado da mesa, um empregado reclamava que estava difícil encontrar uma empresa boa para trabalhar.
Ambos tinham razão.
E os dois, talvez, também estivessem olhando exclusivamente metade da história.
É curioso como quase todo mundo consegue listar os defeitos do chefe. O salário é baixo. A empresa não reconhece. O gerente não sabe liderar. O ambiente é pesado. As metas são difíceis. Algumas críticas fazem todo sentido. Outras nem tanto.
Mas quase ninguém faz o exercício contrário.
Se amanhã você abrisse uma empresa, contrataria alguém exatamente igual a você?
Contrataria alguém que chega cinco minutos atrasado porque “é só hoje”? Que entrega a tarefa mais ou menos porque “ninguém percebe”? Que passa mais tempo reclamando do trabalho do que trabalhando? Que espera o relógio marcar cinco da tarde desde as oito da manhã?
Ou você procuraria alguém comprometido, curioso, disposto a aprender e a resolver problemas?
A verdade é que todos nós gostamos de trabalhar ao lado de pessoas assim.
Só nem sempre lembramos de ser uma delas.
Ser um bom empregado nunca significou concordar com tudo, aceitar abusos ou trabalhar até a exaustão. Significa compreender que profissionalismo continua valendo mesmo quando o chefe não fica olhando. Significa entregar um pouco mais do que o mínimo necessário. Significa cuidar da empresa como quem sabe que a própria carreira fica sendo construída ali dentro.
Existe uma frase antiga que diz que “quem faz apenas o que é pago para fazer continuará sendo pago apenas para fazer aquilo”. Pode parecer dura, mas existe uma reflexão importante nela. As oportunidades costumam aparecer para quem demonstra estar preparado antes que elas existam.
É claro que existem empresas ruins.
Chefes despreparados.
Ambientes tóxicos.
Tudo isso existe.
Mas também existem excelentes profissionais que cresceram justamente porque decidiram não deixar que essas situações definissem quem eles seriam.
No final das contas, a carreira pertence muito mais ao profissional do que à empresa.
Porque o conhecimento adquirido vai embora junto com ele.
A disciplina vai embora junto com ele.
A reputação vai embora junto com ele.
Talvez seja por isso que a pergunta continue fazendo sentido.
Se amanhã você precisasse contratar alguém para cuidar do seu próprio negócio…
Você contrataria você?
Se a resposta foi “sim”, continue neste caminho.
Se a resposta causou um pequeno desconforto…
Talvez você tenha acabado de encontrar o melhor investimento que pode fazer na sua carreira.
*Christiano Guimarães é empresário, consultor e escritor
@chris_guimaraes
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Com informações da Diario de Votuporanga

